Eu, Camilo o gato escritor....



Provavelmente muitos de vós dirão que um gato não pensa, nem sabe escrever, por isso esta ideia de escrever crónicas é um perfeito disparate! 

Ah e ainda por cima um gato de rua, muito provavelmente, com cerca de 99,9 % de certeza deve ser iletrado … o que é que ele pode opinar… ou melhor … o que é que ele pode escrever ….?! 

Pois é …. O perfeito disparate é vocês pensarem dessa forma… e nem sequer deixarem pairar uma dúvida no ar do tipo: “ah … um gato a escrever crónicas??!! Embora lá ler, deve ser engraçado … “ e darem-me o benefício da dúvida. 

Quem nos compreendia bem era aquele senhor francês que viveu há muitos anos, mais precisamente há uns 4 séculos, se não me engano, de nome La Fontaine. Ele sabia que os animais falavam e filosofavam e, se bem que eram outros tempos e a alfabetização não era tão alargada, entenderia que um gato pudesse querer escrever. 

Gostem ou não … todos nós devemos seguir os nossos sonhos, não é? até mesmo os felinos. E os meus sonhos são um pouco elevados, eu reconheço. Gostava de ser um gato conhecido nacionalmente e quem sabe internacionalmente, e que pudessem olhar para mim com algum orgulho, tipo: “Olha ali vai o Camilo Orange, o gato escritor. Uau ” 

Quando falo internacionalmente, sei o que digo e não é só pura vaidade, porque, como já referi, sou um gato de rua, mas não sou de uma rua qualquer, não ando atras dos caixotes de lixo como, infelizmente outros gatos tem de fazer para sobreviver, mas eu e os outros membros da minha colónia vivemos junto a uma casa de hospedes, na maravilhosa vila de Sintra, que nos adotaram como mascotes e divulgam as nossas fotos pelo ciber espaço. Por isso, modéstia à parte, já quase que sou conhecido internacionalmente. 

Somos todos uma grande família, que cresceu recentemente, pois tive, este ano, inúmeros sobrinhos que, entretanto, grande parte deles, arranjaram donos que os adoptaram. É bom para eles, terem uma casa acolhedora, mimos e comidinha sempre que lhes apeteça, vão crescer saudáveis e virarem uns felinos dignos do seu estatuto. 

Por vezes, nas minhas deambulações, olho para um gato que me mira do lado de lá de uma janela e penso “ hum deve ser bom estar no quentinho de uma casa, com comidinha sempre no prato, mimos e o sossego….” . Sobretudo este pensamento ocorre-me durante o período do ano mais frio, mas depois quando percorro os trilhos da quinta, salto os muros, dou uma sapatada em alguns que cruzam o meu caminho, umas marradinhas noutros e brinco com os sobrinhos, penso se não sou bem mais feliz assim. 

E, sobretudo, quando vejo o dia nascer e sinto o fresquinho no meu pelo, sinto que é bom viver na rua. Bem sei que sou privilegiado, tenho quem cuide de mim e que me dê mimos também e posso abrigar-me da chuva. 

Ah é bom ser um gato de rua, um marialva dos telhados e ter um mundo para descobrir!

Comentários

  1. Viva,

    A ver se arranjo mais tempo para ir passando por cá mas gostei bastante desta apresentação e até compreendo perfeitamente que um gato de rua deve ser mais feliz que um gato que tem quase 80% da casa dos donos só para ele :D

    Abraço

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